O regime jurídico dos estreitos marítimos ganha relevância estratégica para o Brasil

Postado em 11/07/2026 às 09:34:47

O cenário geopolítico atual recolocou em evidência o regime jurídico que rege as passagens marítimas internacionais. Em particular, a estabilidade das rotas pelo Estreito de Ormuz, tensionado pelas fricções entre Estados Unidos e Irã, e o controle dos Estreitos de Bósforo e Dardanelos, sob o impacto direto do conflito entre Rússia e Ucrânia, tornaram-se pontos focais da diplomacia global.

Para o Brasil, o interesse no tema transcende a análise acadêmica, conectando-se diretamente aos fluxos do comércio exterior e à soberania nacional. A estabilidade dessas rotas é vital para a economia brasileira, que depende do livre fluxo de mercadorias em corredores marítimos essenciais para a exportação de commodities e a importação de insumos estratégicos.

Nesse contexto, a especialização jurídica sobre o Direito do Mar ganha novos contornos, exigindo um olhar atento dos juristas brasileiros sobre como as convenções internacionais, como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), são aplicadas em situações de crise ou guerra.

A importância do tema para o país foi reforçada recentemente com a eleição do consultor jurídico do Ministério das Relações Exteriores, George Rodrigo Bandeira Galindo, para a Comissão de Direito Internacional da Organização das Nações Unidas (ONU). Sua atuação no órgão internacional destaca o papel do Brasil na interpretação das normas que regem as passagens marítimas.

A participação de um representante brasileiro em uma instância deliberativa de tamanha envergadura permite que o país contribua diretamente para o desenvolvimento do Direito Internacional. O debate sobre estreitos não se restringe apenas à navegação, mas envolve questões complexas de segurança regional, soberania e a manutenção da paz.

Juridicamente, o desafio reside em equilibrar o direito de passagem em trânsito com os legítimos interesses de segurança dos Estados costeiros. Este equilíbrio é um dos pilares da segurança jurídica internacional e um tema recorrente na pauta de organismos multilaterais.

Para o advogado e o consultor jurídico brasileiro, o acompanhamento desses temas é fundamental. A compreensão das nuances jurídicas que envolvem o Direito do Mar permite uma análise mais precisa dos riscos e oportunidades para empresas e Estados em um mundo cada vez mais interconectado.

A eleição de um brasileiro para a Comissão de Direito Internacional da ONU não é apenas uma conquista diplomática, mas uma afirmação da sólida tradição jurídica do país. O Brasil, ao longo das décadas, tem se pautado pelo respeito às normas internacionais e pela busca de soluções pacíficas para controvérsias.

Portanto, o debate jurídico sobre os estreitos marítimos é um reflexo da própria complexidade do mundo contemporâneo. O papel do jurista é, justamente, traduzir essas tensões em normas que garantam a previsibilidade e a segurança necessárias para o comércio e a convivência entre as nações.

Acompanhar a evolução dessa jurisprudência e doutrina internacional, sob a luz das novas posições brasileiras, será um exercício essencial para todos os operadores do Direito nas próximas temporadas, especialmente diante da crescente volatilidade geopolítica que exige respostas jurídicas maduras e fundamentadas.


Autor/Fonte: Equipe PRATES Advogados

Emvie uma mensagem pelo WhatsApp